Carro não liga: o que pode ser e o que testar antes

Carro não liga: o que pode ser e o que testar antes

Você gira a chave, ou aperta o botão, e o carro não pega. A primeira reação é tentar de novo, e de novo, até a bateria acabar de vez. Antes disso, vale prestar atenção no que o carro faz quando você tenta ligar. O som que ele faz, ou a falta de som, já diz muito sobre o defeito.

Faço guincho em Artur Nogueira e região desde 2020, e boa parte dos chamados começa com essa frase: "o carro não liga". Alguns se resolvem ali mesmo, com uma chupeta. Outros precisam ir para a oficina. Neste texto eu explico como separar um caso do outro.

Escute o que acontece quando você dá a partida

São quatro situações, e cada uma aponta para um lugar diferente.

Nada acontece, e o painel não acende ou acende fraco. É a situação mais comum, e quase sempre é bateria: descarregada, no fim da vida ou com o cabo solto. Farol esquecido aceso, carro parado muitos dias e bateria velha são as causas de sempre.

Um clique, ou vários cliques rápidos, e o motor não gira. Os cliques rápidos costumam ser bateria fraca: tem carga para acender o painel, mas não para girar o motor. Um clique só, com o painel aceso normal, já aponta mais para o motor de arranque ou para a ligação dele.

O motor gira devagar, arrastado, e não pega. Bateria no limite. Em dia frio isso aparece mais, porque a bateria rende menos e o óleo do motor está mais grosso.

O motor gira normal, com força, mas não pega. Aqui a bateria está boa, e o problema é outro: falta de combustível, bomba de combustível, vela, bobina ou o sistema que reconhece a chave. Essa é a situação que menos se resolve na rua.

O que dá para conferir sozinho

Antes de chamar alguém, cinco coisas levam um minuto e resolvem mais casos do que parece:

  • O câmbio. Carro automático só liga em P ou N. Se ficou em D ou R, ele não dá partida.
  • A embreagem. Muitos carros manuais só dão partida com o pedal da embreagem pisado até o fim.
  • O combustível. Parece óbvio, mas o marcador às vezes engana, principalmente em subida ou em carro com o sensor do tanque com defeito. Se você rodou muito desde o último abastecimento, desconfie.
  • A chave. Se o painel mostra uma luz de chave ou de cadeado piscando, o carro pode não estar reconhecendo a chave. Tente a chave reserva, se tiver. Em chave presencial, pilha fraca dá esse mesmo sintoma.
  • Os cabos da bateria. Abra o capô e veja se os terminais estão firmes. Um terminal frouxo ou coberto de pó branco ou esverdeado (oxidação) pode cortar a corrente. Mexa só se o carro estiver desligado e sem a chave no contato.

Um conselho: não fique insistindo na partida. Tente por alguns segundos, espere um pouco e tente de novo, no máximo umas três vezes. Partida longa e seguida esquenta o motor de arranque e acaba de gastar a bateria que talvez ainda desse para salvar com uma chupeta.

Como fazer a chupeta sem estragar nada

Se tudo aponta para a bateria e tem outro carro por perto, a chupeta resolve. O que importa é a ordem dos cabos:

  1. Os dois carros desligados, sem encostar um no outro.
  2. Cabo vermelho no positivo (+) da bateria descarregada.
  3. A outra ponta do vermelho no positivo (+) da bateria boa.
  4. Cabo preto no negativo (−) da bateria boa.
  5. A outra ponta do preto numa parte de metal sem pintura do motor do carro parado, longe da bateria. Não no negativo da bateria descarregada.
  6. Ligue o carro bom e deixe alguns minutos funcionando. Depois tente ligar o outro.
  7. Pegou? Tire os cabos na ordem contrária e deixe o carro ligado, de preferência rodando, por um bom tempo.

A última ponta vai longe da bateria porque é ali que pode sair uma faísca, e bateria pode soltar gás inflamável. Nunca encoste a ponta do cabo vermelho na do preto com os cabos ligados.

Se o carro pegou com a chupeta e não pega de novo no dia seguinte, a bateria não segura mais carga, ou o alternador não está carregando. Uma luz de bateria acesa no painel com o carro ligado é sinal de alternador. Nos dois casos é coisa para resolver logo, antes que pare de novo num lugar pior.

E o tranco, empurrando o carro? Só funciona em câmbio manual, e só quando o problema é bateria. Em carro automático não funciona. E empurrar carro em rua com movimento é arriscado para quem empurra.

Quando é hora de chamar o guincho

Eu chamaria o guincho, sem ficar tentando, nestes casos:

  • o motor gira normal e não pega, e o combustível está ok;
  • a chupeta não resolveu, ou o carro pegou e morreu logo depois;
  • tem cheiro forte de gasolina, fumaça saindo do capô ou barulho de metal;
  • a luz de temperatura ou de óleo acendeu antes do carro parar;
  • o carro parou num lugar perigoso: acostamento estreito, curva, rodovia à noite.

No último caso, a prioridade não é o carro. Ligue o pisca-alerta, coloque o triângulo bem antes do carro, para quem vem atrás ter tempo de ver, e saia do veículo pelo lado de fora da pista. Em rodovia, espere atrás da mureta ou do guard-rail, nunca entre o carro e a pista.

O motor que gira e não pega também tem um motivo para não insistir: em alguns casos, tentar muito a partida manda combustível sem queimar para o escapamento e pode estragar o catalisador. Um conserto que era de bomba ou de vela vira dois.

O que me mandar quando o carro não liga

Quando você me chama pelo WhatsApp, três informações fazem o guincho chegar mais rápido e preparado:

  • A localização. Pelo próprio WhatsApp, em "localização atual". Em estrada, o quilômetro ou um ponto de referência ajuda.
  • O modelo do carro, e se é automático. Carro automático e alguns carros com tração nas quatro rodas precisam de cuidado especial para serem rebocados, e saber antes evita surpresa.
  • O que aconteceu. Se foi clique, se gira e não pega, se teve barulho ou fumaça. Com isso eu já sei se dá para tentar uma partida no local ou se é para levar direto para a oficina.

Também ajuda dizer para onde o carro vai: a oficina de confiança, a concessionária ou a sua casa.

Para fechar

Carro que não liga quase sempre avisa antes: partida mais lenta nos últimos dias, painel fraco, uma luz que acendeu e você deixou para depois. Bateria tem vida útil, e trocar antes de ela morrer sai mais barato que um chamado de madrugada.

Para saber se a sua está perto do fim, olhe a etiqueta: a data de fabricação vem impressa na própria bateria. A duração muda com o uso, mas carro que roda pouco, só trajetos curtos na cidade, cansa a bateria mais cedo, porque o alternador não tem tempo de recarregar o que a partida gastou. Muitas lojas de bateria testam a carga de graça, e o teste leva poucos minutos. Se a partida já está ficando lenta e a bateria tem alguns anos, vale fazer antes de viajar.

Se o carro parou em Artur Nogueira, Mogi Mirim, Engenheiro Coelho, Santo Antônio de Posse ou nas cidades vizinhas, eu atendo 24 horas, todos os dias. Veja como funciona na página do Guto Guincho, confira os serviços, ou me chame pelo WhatsApp com a sua localização. Também faço transporte de veículos sem ser emergência.

Guto Guincho

Guincho 24 horas em Artur Nogueira e região, desde 2020.